Tudo é menos óbvio entre e escuro e a cor
O sol invade com afago o dia em cores
E torna a natureza tranquila e infinita
Numa sombra crispada pela obsessão da luz
Tenho no escuro a paz e penso em transição
Sou o meu amor na fantasia em castelos
O desengano vai com a chama e o mundo reduz
No meu ego lavo as mãos num fio de vinho
A curva sensual da voz alisa os meus sonhos
Fecho a porta das lembranças num gesto coeso
E apago no silêncio a fonte bruta que passou
Num quadro íntimo de um nu glorioso
No escuro as minhas células aparecem
Organizadas na solidão em estágios
Maculando a fé inteira e sem alma
E apertando as palavras para formar um livro
Livre e liquido que escorre nas veias
Buscando o encanto na infância sem tempo
Gernaide Cezar
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Amor que passa
O amor que passa quando acorda o dia
Em frente ao tempo liso e indescritível
Sem voz protela um silêncio franco
Em volta de um lago de água hidratada
O sol surge no dia que desperta limpo
Sinto todos os raios da luz que vem
Na tonalidade do olhar que brilha e passa
Sobre a alma que flutua na água carente
O dia corre na plenitude das horas
Tratando do amor pintado na vidraça
Que passa no reflexo jogado no silêncio
Do dia vivido na pausa que sopra do mar
Até amanhã tudo lateja e abre outro dia
No tempo que exala a flor obscura
E na alegria espera fechar o sonho
Dispersando no vento uma surpresa rápida
Até poder abrir outra vez um novo dia
Para mais um olhar passar e cair em águas azuis
Gernaide Cezar
Em frente ao tempo liso e indescritível
Sem voz protela um silêncio franco
Em volta de um lago de água hidratada
O sol surge no dia que desperta limpo
Sinto todos os raios da luz que vem
Na tonalidade do olhar que brilha e passa
Sobre a alma que flutua na água carente
O dia corre na plenitude das horas
Tratando do amor pintado na vidraça
Que passa no reflexo jogado no silêncio
Do dia vivido na pausa que sopra do mar
Até amanhã tudo lateja e abre outro dia
No tempo que exala a flor obscura
E na alegria espera fechar o sonho
Dispersando no vento uma surpresa rápida
Até poder abrir outra vez um novo dia
Para mais um olhar passar e cair em águas azuis
Gernaide Cezar
Penso que...
Penso que tenho muito medo do mundo
Onde habitam seres de um lado e do outro
Marcando uma disputa pela vida afora
Num fato incrédulo que rouba o sentido
Penso que nada ultrapassa o que vejo
Em meio aos sonhos que morrem
No dia e na noite tudo escorre na tela
Como o vento traduzindo o perdão
Penso que já vi coisas que não falam
Tudo mancha a essência azeda
Que sufoca o desejo que flameja
E num alerta o mundo espalha e acalma
Penso não ter medo e abraço o pânico
A razão resguarda na vida tudo que penso
Vencida pelo muro passo para o outro lado
E vejo no horizonte a medida do homem
Que cala no silêncio a vergonha
Por não saber como fazer um mundo melhor
Gernaide Cezar
Onde habitam seres de um lado e do outro
Marcando uma disputa pela vida afora
Num fato incrédulo que rouba o sentido
Penso que nada ultrapassa o que vejo
Em meio aos sonhos que morrem
No dia e na noite tudo escorre na tela
Como o vento traduzindo o perdão
Penso que já vi coisas que não falam
Tudo mancha a essência azeda
Que sufoca o desejo que flameja
E num alerta o mundo espalha e acalma
Penso não ter medo e abraço o pânico
A razão resguarda na vida tudo que penso
Vencida pelo muro passo para o outro lado
E vejo no horizonte a medida do homem
Que cala no silêncio a vergonha
Por não saber como fazer um mundo melhor
Gernaide Cezar
sábado, 18 de dezembro de 2010
Tudo acontece...
Tudo acontece num dia de chuva rala
Que molha a terra e poupa o mar
Num suspiro cinza aparece uma sombra
Devota de um santo incapaz e sem currículo
Um louco entende que a sombra é fugaz
E devolve ao santo uma revolta em prantos
A sombra é uma cópia chapada da alma
Marcada pelo delírio da prece que perdoa
Perdoa o louco que tem um eu partido
Vive uma inocente realidade que transgride
Mora na parte cinza de um contexto nu
Amparado pelas folhas mortas do tempo
Uma ponta da vida agrega o louco e a sombra
Tudo faz parte de um prenúncio irreal
Ansiosa a sombra se afasta da luz
O louco segue em silêncio por um espelho escuro
E o tempo dispersa a dor em sombra
O louco apenas sabe sofrer e dispensa viver
Gernaide Cézar
Que molha a terra e poupa o mar
Num suspiro cinza aparece uma sombra
Devota de um santo incapaz e sem currículo
Um louco entende que a sombra é fugaz
E devolve ao santo uma revolta em prantos
A sombra é uma cópia chapada da alma
Marcada pelo delírio da prece que perdoa
Perdoa o louco que tem um eu partido
Vive uma inocente realidade que transgride
Mora na parte cinza de um contexto nu
Amparado pelas folhas mortas do tempo
Uma ponta da vida agrega o louco e a sombra
Tudo faz parte de um prenúncio irreal
Ansiosa a sombra se afasta da luz
O louco segue em silêncio por um espelho escuro
E o tempo dispersa a dor em sombra
O louco apenas sabe sofrer e dispensa viver
Gernaide Cézar
A minha tatuagem
Tatuei um sonho na liberdade
Que fica atrás da mão que faz
O meu verso rouquejar em curvas
Pela revolta dos inocentes alienados
Tenho cravado na alma um vôo livre
Com asas de um trigal em canto
Que resolve na noite aquietar a solidão
Em frente ao livro que roça em mim
É um amigo profundo em palavras
Que exalta o meu ego e ejacula alegria
São páginas inerentes ao calor da noite
Que inerte trafega na luz dos meus olhos
Tatuei uma vida que não apaga no eco
Sinto a figura na alma com virtudes
O meu desejo escorre na lágrima feliz
Na minha face que engole mágoas
E devolve em forma de pedras verdes
Para plantar no mar o vício da esperança
Aceitando a minha sede plena de viver
Gernaide Cézar
Que fica atrás da mão que faz
O meu verso rouquejar em curvas
Pela revolta dos inocentes alienados
Tenho cravado na alma um vôo livre
Com asas de um trigal em canto
Que resolve na noite aquietar a solidão
Em frente ao livro que roça em mim
É um amigo profundo em palavras
Que exalta o meu ego e ejacula alegria
São páginas inerentes ao calor da noite
Que inerte trafega na luz dos meus olhos
Tatuei uma vida que não apaga no eco
Sinto a figura na alma com virtudes
O meu desejo escorre na lágrima feliz
Na minha face que engole mágoas
E devolve em forma de pedras verdes
Para plantar no mar o vício da esperança
Aceitando a minha sede plena de viver
Gernaide Cézar
Uma página branca
Numa página branca desenho o óbvio
Com palavras simples espalho o dia
Para dizer que penso alto e não falo
Da graça que sinto em olhar o mundo
No desenho sei colorir as palavras
Nem sempre de cor firme e risonha
Isso depende da tonalidade do dia
Que sofre a mágoa da última ilusão
Escrevo para soletrar a minha so-li-dão
Que abole o afago destrutivo que vem
Dando verve ao meu silêncio excitado
Excluindo os abjetos que prolifera meu tempo
Na folha branca sinto a luz da vida
Em atalhos a alma reserva virtudes
Numa força cromada de esperanças
Peço respeito ao barulho sem fim
Que desconstrói em proporção cristalina
O silêncio de quem pensa em páginas
Gernaide Cézar
Com palavras simples espalho o dia
Para dizer que penso alto e não falo
Da graça que sinto em olhar o mundo
No desenho sei colorir as palavras
Nem sempre de cor firme e risonha
Isso depende da tonalidade do dia
Que sofre a mágoa da última ilusão
Escrevo para soletrar a minha so-li-dão
Que abole o afago destrutivo que vem
Dando verve ao meu silêncio excitado
Excluindo os abjetos que prolifera meu tempo
Na folha branca sinto a luz da vida
Em atalhos a alma reserva virtudes
Numa força cromada de esperanças
Peço respeito ao barulho sem fim
Que desconstrói em proporção cristalina
O silêncio de quem pensa em páginas
Gernaide Cézar
Abstrata é a vida
A vida acontece e desliza corrente
Com formas tangíveis que roça o vácuo
Tem curvas estéticas nas horas arcaicas
Para na alma esguia transcoar o tempo
O homem é abstrato na dor sem afeto
Na infância clara descola o sonho
Deixando a fome pobre no vazio mudo
Do estômago reduzido em pouco espaço
Abstrata é a vida que rola em gotas
Na face obscura dos que fazem o mundo
Quando roubam a consciência de quem vive
Na prática rude de um lago escuro
Salgada é a lágrima que escorre e chora
No vago espaço sem o sal que reza
Pela paz da guerra que arde e acende
Na luz abstrata que não fornece as cores
O tempo cala a esperança quente da tarde
Inerente ao silêncio realista dos pensantes
Bem no auge da força bruta que compele
E gesta um sonho no formato claro da água
Que brilha em forma de vida
Gernaide Cézar
Com formas tangíveis que roça o vácuo
Tem curvas estéticas nas horas arcaicas
Para na alma esguia transcoar o tempo
O homem é abstrato na dor sem afeto
Na infância clara descola o sonho
Deixando a fome pobre no vazio mudo
Do estômago reduzido em pouco espaço
Abstrata é a vida que rola em gotas
Na face obscura dos que fazem o mundo
Quando roubam a consciência de quem vive
Na prática rude de um lago escuro
Salgada é a lágrima que escorre e chora
No vago espaço sem o sal que reza
Pela paz da guerra que arde e acende
Na luz abstrata que não fornece as cores
O tempo cala a esperança quente da tarde
Inerente ao silêncio realista dos pensantes
Bem no auge da força bruta que compele
E gesta um sonho no formato claro da água
Que brilha em forma de vida
Gernaide Cézar
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Uma prece
Em nome do Pai
Desejo alcançar a solidão
Para elevar o meu eu
Ao canto sagrado de uma noite plena
Em nome do Pai
Elevo meus sonhos molhados
Ao encontro dos meus desejos
Para ressuscitar o perfume das horas
Em nome do Pai
Guardo a esperança santa
De regressar ao caminho de volta
Para encontrar a ilusão já vivida
Em nome do Pai
Peço que proteja o meu sonho
Com a fragrância fina do orvalho
Para exaltar os meus ideais purgados
Em nome do Pai
Quero a harmonia de um canto generoso
Que vem ao encontro do meu prazer
Para solidificar o meu encanto na paisagem
Gernaide Cézar
Desejo alcançar a solidão
Para elevar o meu eu
Ao canto sagrado de uma noite plena
Em nome do Pai
Elevo meus sonhos molhados
Ao encontro dos meus desejos
Para ressuscitar o perfume das horas
Em nome do Pai
Guardo a esperança santa
De regressar ao caminho de volta
Para encontrar a ilusão já vivida
Em nome do Pai
Peço que proteja o meu sonho
Com a fragrância fina do orvalho
Para exaltar os meus ideais purgados
Em nome do Pai
Quero a harmonia de um canto generoso
Que vem ao encontro do meu prazer
Para solidificar o meu encanto na paisagem
Gernaide Cézar
Saudade
A melhor saudade é a do amor
Que chega bem em frente aos olhos
Com uma intimidade amena
E no silêncio escorre
A melhor saudade é do amor
Que transfere a ausência em parte
Deixando viva a sua face
Na alma clara da flor
A melhor saudade é do amor
Que abastece e lubrifica o eu
Dando brilho e forma
A vida que passeia no íntimo
A melhor saudade é do amor
Que beija a face clara do dia
Deixando a beleza e a doçura
Na palavra fértil de um olhar
Onde o amor suave penetra
Gernaide Cézar
Que chega bem em frente aos olhos
Com uma intimidade amena
E no silêncio escorre
A melhor saudade é do amor
Que transfere a ausência em parte
Deixando viva a sua face
Na alma clara da flor
A melhor saudade é do amor
Que abastece e lubrifica o eu
Dando brilho e forma
A vida que passeia no íntimo
A melhor saudade é do amor
Que beija a face clara do dia
Deixando a beleza e a doçura
Na palavra fértil de um olhar
Onde o amor suave penetra
Gernaide Cézar
O silêncio como oração
O silêncio dissolve-se em espasmo
Sensível e fragrante como a oração
Na virtude pálida do âmago
Que vibra no leve tom de sua voz
As nuvens se prostituem no espaço
Transformando a oração ereta
Em um silêncio que se alonga
No descaso inflamado da noite
Seja santificado o luz da lua
Que vibra na angústia solitária
Lavando a alma dos doloridos
Enquanto escorre um momento desolado
A noite cuidadosamente se encolhe
Cobrindo a santa virtude desatável
Com o manto de orvalho transparente
Caído sobre o altar em rosas
Fica o silêncio enfático e brilhante
Fica o espasmo santificado
Fica a noite ao som dos passantes
Fica a oração em pleno silêncio
Gernaide Cézar
Sensível e fragrante como a oração
Na virtude pálida do âmago
Que vibra no leve tom de sua voz
As nuvens se prostituem no espaço
Transformando a oração ereta
Em um silêncio que se alonga
No descaso inflamado da noite
Seja santificado o luz da lua
Que vibra na angústia solitária
Lavando a alma dos doloridos
Enquanto escorre um momento desolado
A noite cuidadosamente se encolhe
Cobrindo a santa virtude desatável
Com o manto de orvalho transparente
Caído sobre o altar em rosas
Fica o silêncio enfático e brilhante
Fica o espasmo santificado
Fica a noite ao som dos passantes
Fica a oração em pleno silêncio
Gernaide Cézar
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