quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O silêncio como oração

O silêncio dissolve-se em espasmo
Sensível e fragrante como a oração
Na virtude pálida do âmago
Que vibra no leve tom de sua voz

As nuvens se prostituem no espaço
Transformando a oração ereta
Em um silêncio que se alonga
No descaso inflamado da noite

Seja santificado o luz da lua
Que vibra na angústia solitária
Lavando a alma dos doloridos
Enquanto escorre um momento desolado

A noite cuidadosamente se encolhe
Cobrindo a santa virtude desatável
Com o manto de orvalho transparente
Caído sobre o altar em rosas

Fica o silêncio enfático e brilhante
Fica o espasmo santificado
Fica a noite ao som dos passantes
Fica a oração em pleno silêncio
Gernaide Cézar

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