Rasgo todos os conceitos no prazo
Numa gota transparente e sem voz
Desfio a mancha que desliza na linha
E deforma a corrente na hora adversa
Estou sempre farta em pétalas graduais
Sei caminhar em volta sobre o meu tempo
E finjo em parte um retardo que passa
Cobrindo os meus atos contra a ferrugem
Desligo tudo que invade o meu silêncio
E consagro as horas num sonho antes
Onde o canto flagra e arqueia na noite
Um corpo sobre as minhas veias
A imagem estendida anula a razão
Que anuncia os céus em mármores
E abri uma chaga nos lábios da fenda
Servindo ao mundo os resíduos lavados
Pelo conceito que atormenta uma face em partes
Gernaide Cézar
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Uma prece
Em nome do Pai
Desejo alcançar a solidão
Para elevar o meu eu
Ao canto sagrado de uma noite plena
Em nome do Pai
Elevo meus sonhos molhados
Ao encontro dos meus desejos
Para ressuscitar o perfume das horas
Em nome do Pai
Guardo a esperança santa
De regressar ao caminho de volta
Para encontrar a ilusão já vivida
Em nome do Pai
Peço que proteja o meu sonho
Com a fragrância fina do orvalho
Para exaltar os meus ideais purgados
Em nome do Pai
Canto a harmonia de um canto generoso
Que vem ao encontro do meu prazer
Para solidificar o meu encanto na paisagem
Gernaide Cézar
Desejo alcançar a solidão
Para elevar o meu eu
Ao canto sagrado de uma noite plena
Em nome do Pai
Elevo meus sonhos molhados
Ao encontro dos meus desejos
Para ressuscitar o perfume das horas
Em nome do Pai
Guardo a esperança santa
De regressar ao caminho de volta
Para encontrar a ilusão já vivida
Em nome do Pai
Peço que proteja o meu sonho
Com a fragrância fina do orvalho
Para exaltar os meus ideais purgados
Em nome do Pai
Canto a harmonia de um canto generoso
Que vem ao encontro do meu prazer
Para solidificar o meu encanto na paisagem
Gernaide Cézar
Passe por fora da vida
Passe por fora da vida como o reflexo
Na distância jovem a vida recusa
Faz apologia a uma sensação imediata
Sem saber em quantas portas vai bater
Existe fase que sufoca a memória
A idade também cansa as células
E o esquecimento é fugaz e disperso
Como uma torrente nos lábios em versos
Chamada de idade inválida e sem cálculos
Tudo é simplificado na citação em fatos
Ai vem o rótulo simultâneo e intolerável
E o sonho passa ficando na memória o traço
Passe sempre além do preconceito indefinido
Alguns pensam que sua voz é surda
E nem respondem quando sua imagem fala
Transforme o seu mundo e apague os obstáculos
Despache os desentendidos no vômito do ócio
E apague a luz que sangra ao sair
Gernaide Cézar
Na distância jovem a vida recusa
Faz apologia a uma sensação imediata
Sem saber em quantas portas vai bater
Existe fase que sufoca a memória
A idade também cansa as células
E o esquecimento é fugaz e disperso
Como uma torrente nos lábios em versos
Chamada de idade inválida e sem cálculos
Tudo é simplificado na citação em fatos
Ai vem o rótulo simultâneo e intolerável
E o sonho passa ficando na memória o traço
Passe sempre além do preconceito indefinido
Alguns pensam que sua voz é surda
E nem respondem quando sua imagem fala
Transforme o seu mundo e apague os obstáculos
Despache os desentendidos no vômito do ócio
E apague a luz que sangra ao sair
Gernaide Cézar
Uma página branca
Numa página branca desenho o óbvio
Com palavras simples espalho o dia
Para dizer que penso alto e não falo
Da graça que sinto em olhar o mundo
No desenho sei colorir as palavras
Nem sempre de cor firme e risonha
Isso depende da tonalidade do dia
Que sofre a mágoa da última ilusão
Escrevo para soletrar a minha so-li-dão
Que abole o afago destrutivo que vem
Dando verve ao meu silêncio excitado
Excluindo os abjetos que prolifera meu tempo
Na folha branca sinto a luz da vida
Em atalhos a alma reserva virtudes
Numa força cromada de esperanças
Peço respeito ao barulho sem fim
Que desconstrói em proporção cristalina
O silêncio de quem pensa em páginas
Com palavras simples espalho o dia
Para dizer que penso alto e não falo
Da graça que sinto em olhar o mundo
No desenho sei colorir as palavras
Nem sempre de cor firme e risonha
Isso depende da tonalidade do dia
Que sofre a mágoa da última ilusão
Escrevo para soletrar a minha so-li-dão
Que abole o afago destrutivo que vem
Dando verve ao meu silêncio excitado
Excluindo os abjetos que prolifera meu tempo
Na folha branca sinto a luz da vida
Em atalhos a alma reserva virtudes
Numa força cromada de esperanças
Peço respeito ao barulho sem fim
Que desconstrói em proporção cristalina
O silêncio de quem pensa em páginas
Gernaide Cézar
sábado, 9 de outubro de 2010
A estética da minha solidão
Na sombra do vento surge
A forma sensível da minha solidão
São imagens sensoriais
Tocada na harmonia da falta
Perdi a melhor parte de mim
No desaparecimento que cultiva a vida
Já não vejo o dia chegar
Parece que tudo está partindo
Vejo a beleza das formas solitárias
Num vazio que oscila
Em frente aos meus olhos
Que transgride a todos os atos
Quero um encontro reservado comigo
Num estiloso diálogo visceral
Para dissecar os meus sentimentos
E dilatar a emoção nua
Como um crédito sem rótulo
Mostrando-me a razão da vida
Gernaide Cézar
A forma sensível da minha solidão
São imagens sensoriais
Tocada na harmonia da falta
Perdi a melhor parte de mim
No desaparecimento que cultiva a vida
Já não vejo o dia chegar
Parece que tudo está partindo
Vejo a beleza das formas solitárias
Num vazio que oscila
Em frente aos meus olhos
Que transgride a todos os atos
Quero um encontro reservado comigo
Num estiloso diálogo visceral
Para dissecar os meus sentimentos
E dilatar a emoção nua
Como um crédito sem rótulo
Mostrando-me a razão da vida
Gernaide Cézar
Amar é assim
Amar é complicar um sonho
Que transpira ereto na sua fantasia
E no longo espaço desnuda-se
Dilatando os caminhos do seu eu
Amar é colorir o silêncio íntimo
Lançando uma idéia erótica
Para sublimar a imensa saudade
Deixando profano o devaneio
Amar é contrair o instinto
Para defender-se e evitar a emoção
Numa vida cercada por uma divina vereda
Por onde se ejacula o abismo
Amar é ter uma quietude eterna
Para santificar a doçura da solidão
Abnegando o silêncio íntegro e sereno
Que habita na parte ilegal do âmago
Juntando todos os desejos finais
Nos fios cruzados de um cansaço inútil
Gernaide Cézar
Que transpira ereto na sua fantasia
E no longo espaço desnuda-se
Dilatando os caminhos do seu eu
Amar é colorir o silêncio íntimo
Lançando uma idéia erótica
Para sublimar a imensa saudade
Deixando profano o devaneio
Amar é contrair o instinto
Para defender-se e evitar a emoção
Numa vida cercada por uma divina vereda
Por onde se ejacula o abismo
Amar é ter uma quietude eterna
Para santificar a doçura da solidão
Abnegando o silêncio íntegro e sereno
Que habita na parte ilegal do âmago
Juntando todos os desejos finais
Nos fios cruzados de um cansaço inútil
Gernaide Cézar
Só uma palavra
Eu quero só uma palavra
Da saudade que abraça o meu eu
E todo prestígio da oração
Que se ergue no sentido da fé
Na minha ilusão florescida vejo
Que aqui dentro eu desfio o tempo
No ritmo rasgado da minha consciência
E na lentidão inerente à minha alegria
Vejo na noite uma parte escura
Destruindo as células cansadas
Que transbordam a beira do meu altar
Cheio de emoções soltas no tempo
Santificada a canção do silêncio
Que anula o meu clamor
Num ato de um encanto rude
Paralisando em gesto as palavras
Que se perdem na brancura das rosas
E inocentam a paisagem inquieta
Gernaide Cézar
Da saudade que abraça o meu eu
E todo prestígio da oração
Que se ergue no sentido da fé
Na minha ilusão florescida vejo
Que aqui dentro eu desfio o tempo
No ritmo rasgado da minha consciência
E na lentidão inerente à minha alegria
Vejo na noite uma parte escura
Destruindo as células cansadas
Que transbordam a beira do meu altar
Cheio de emoções soltas no tempo
Santificada a canção do silêncio
Que anula o meu clamor
Num ato de um encanto rude
Paralisando em gesto as palavras
Que se perdem na brancura das rosas
E inocentam a paisagem inquieta
Gernaide Cézar
Um poema de água
Na cor prata da água mergulho
Os sonhos lavados na fé passada
Que surge e perpassa em vão
Deixando nula toda minha intenção
Deito na água lisa que me ocorre
Deixo clara a luz temperada da lua
Pela solidão insólita do meu eu
Que navega por sua voz sem palavras
Quero no tato da água o desejo
De tocar o regresso cercado de carícias
Perdido na partida que tragamos
Na noite consumida pela luz
Deixo uma parte aberta na alegria
E alimento a inveja da água corrente
No silêncio da ausência prateada
Que ocorre no beijo frio e transparente
Entre as ondas e os sons da chuva
Nada escorre entre os meus sonhos
Gernaide Cézar
Os sonhos lavados na fé passada
Que surge e perpassa em vão
Deixando nula toda minha intenção
Deito na água lisa que me ocorre
Deixo clara a luz temperada da lua
Pela solidão insólita do meu eu
Que navega por sua voz sem palavras
Quero no tato da água o desejo
De tocar o regresso cercado de carícias
Perdido na partida que tragamos
Na noite consumida pela luz
Deixo uma parte aberta na alegria
E alimento a inveja da água corrente
No silêncio da ausência prateada
Que ocorre no beijo frio e transparente
Entre as ondas e os sons da chuva
Nada escorre entre os meus sonhos
Gernaide Cézar
A vida é...
A vida vem como uma pedra afilada
O tempo cuida e lapida a alma
Na crueza do destino nublado
Onde a chuva teme molhar o chão
A vida faz e acontece sem volver a chama
Em seios fartos de porcelana impera
A vontade da luz que obedece à sombra
E em fragmentos palpita a brutalidade virgem
A vida perde o rio e caminha para o mar
Na ternura cheia soluça um pranto prata
Igual aos raios da lua atirados na terra
Onde dorme sereno o manto que aquenta o eco
A vida dá à luz a mãe sagrada que arqueja
E oferta o abismo como herança eterna
Para amparar a natureza do amor em raios
Livrando a mágoa de cair em flor
Nas feridas dos versos que brotam
No amor que aquece e esquece a prece
Gernaide Cézar
O tempo cuida e lapida a alma
Na crueza do destino nublado
Onde a chuva teme molhar o chão
A vida faz e acontece sem volver a chama
Em seios fartos de porcelana impera
A vontade da luz que obedece à sombra
E em fragmentos palpita a brutalidade virgem
A vida perde o rio e caminha para o mar
Na ternura cheia soluça um pranto prata
Igual aos raios da lua atirados na terra
Onde dorme sereno o manto que aquenta o eco
A vida dá à luz a mãe sagrada que arqueja
E oferta o abismo como herança eterna
Para amparar a natureza do amor em raios
Livrando a mágoa de cair em flor
Nas feridas dos versos que brotam
No amor que aquece e esquece a prece
Gernaide Cézar
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Os meus medos
Eu tenho medo do que está longe
E pode entrar pela janela do tempo
Construindo um futuro duvidoso
Que degrada a essência humana
Eu tenho medo da água que passa
E sufoca as avenidas expostas
Afogando as mágoas de quem passa
Na inversão de um valor em transe
Eu tenho medo de dormir na noite
E perder a parte da vida que vem vindo
Para desfrutar o silêncio contido
Na minha alma agitada e sem regras
Eu tenho medo de sonhar em queda
De uma altura inventada em rítmo
Afastando o perfume locado na hora
Que conforta os olhos da luz em raios
Eu tenho medo de pensar em nada
E desconstruir o reflexo do que não sei
Deixado no canto de alguma ideia
Que ilumina a rota do meu sonho
Eu tenho medo da sombra no escuro
Que perpassa e atropela os meus nervos
Deixando partida a imagem inversa
Do silêncio tênue que envolve o meu caos
(Gernaide Cézar)
Lá vem a saudade
A saudade é resíduo do passado
Sustentada pela falta estendida no tempo
Que dinamiza a angústia em pauta
Tornando despida a alma
A saudade elabora o caminho
Negando a presença do outono
Espalhando um elenco de fibras
Que viajam num sonho invisível
A saudade lembra um louco
Na tempestade secreta das paredes pálidas
Onde o vinho da noite evapora
Sugando a chama vazia em escalas
A saudade é delicada e lenta
No espetáculo preenche o vazio
Que encanta uma fração vivida
Na dúvida da ânsia passada
E aborta todos os amores perdidos
Na fragrância eterna de um beijo
Não sei o que fazer
Lá embaixo vejo no canto da vida
Uma margem abstrata em queda
Definida num diálogo em versos
Como o vazio contido na forma
Vejo uma paisagem remota e aberta
Graduando na trilha uma neblina trêmula
Que no íntimo passa atropelando
O vício do desejo que mancha o olhar
Vejo o exílio onde a lágrima fica
Para afastar-se do frio da noite
Que umedece o colo do tempo
E desdobra o ócio embebido no orvalho
Já nem sei o que fazer agora
Estou aqui e amanhã estarei posta
Lá na janela perfumada que entra
Na sombra onde morre à tarde
Deixando a minha alma límpida
No silêncio que acalma e se espalha
(Gernaide Cézar)
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