quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Nós dois....

Entre nós dois existe uma fissura
E num silêncio o mundo arde deserto
Pela falta do desejo que separa o olhar
E na face oscila uma ambição adversa

Não vejo você nos olhos da noite
O vento acalma a palma da alma em prece
Nós dois não somos um em vícios
Penso como um ser que infringe a virtude

Olho cantando na timidez sem pudor
E vejo um louco como um de  nós só
Num choro arde a esperança em tédio
E aborto o desejo que habita em prantos

Sem afeto perdi de nós os amores
Mas ainda gozo do seio agreste que pulsa
Dentro do soluço que não alcança o mar
E vacila na conjectura dos meus versos sujos

Sou uma vertente no mundo sem porta
Que consola a sombra solitária de nós
Sigo livre na fadiga em rascunho
Para não passar a limpo o limo que resta
E abraço em tempo a frescura do vento frio
Que passa e agasalha uma vida livre.

Gernaide Cezar

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