segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Talvez

Sem saudades do amor que não sei
As flores oxidam o meu silêncio
Ocultando na sombra o atalho
Que decota a angústia na noite tensa

O sereno molha a esperança no tempo
Deitando no sonho uma face pálida
Alargando o abismo de um olhar fútil
Que marca o silêncio da pedra nua

A noite surge num verso que lateja na luz
A palavra é o verbo da poesia cortada
E na cadência o amor passa sem rima
Deixando sempre rolar o dia sem pauta

O momento surge em flocos de lágrimas
Na lembrança branca do que passou
Não sinto saudades de quando era outra
Fragmentos alienam a minha consciência

Sem paroxismo viajo por dentro da vida
Vejo sensações difusas e me assusto
Abraço os meus segredos vadios com calma
E sinto que guardo em silêncio uma jóia

Tudo marca uma passagem desfeita
Para não formalizar nenhuma tristeza
Tenho certeza que compreendo o meu vício
Sinto medo das marcas que o tempo faz
Na saudade que tenho e nunca vejo

Gernaide Cezar

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