Tudo acontece num dia de chuva rala
Que molha a terra e poupa o mar
Num suspiro cinza aparece uma sombra
Devota de um santo incapaz e sem currículo
Um louco entende que a sombra é fugaz
E devolve ao santo uma revolta em prantos
A sombra é uma cópia chapada da alma
Marcada pelo delírio da prece que perdoa
Perdoa o louco que tem um eu partido
Vive uma inocente realidade que transgride
Mora na parte cinza de um contexto nu
Amparado pelas folhas mortas do tempo
Uma ponta da vida agrega o louco e a sombra
Tudo faz parte de um prenúncio irreal
Ansiosa a sombra se afasta da luz
O louco segue em silêncio por um espelho escuro
E o tempo dispersa a dor em sombra
Dor de quem sabe sofrer mais dispensa viver
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