sábado, 9 de outubro de 2010

A vida é...

A vida vem como uma pedra afilada
O tempo cuida e lapida a alma
Na crueza do destino nublado
Onde a chuva teme molhar o chão

A vida faz e acontece sem volver a chama
Em seios fartos de porcelana impera
A vontade da luz que obedece à sombra
E em fragmentos palpita a brutalidade virgem

A vida perde o rio e caminha para o mar
Na ternura cheia soluça um pranto prata
Igual aos raios da lua atirados na terra
Onde dorme sereno o manto que aquenta o eco

A vida dá à luz a mãe sagrada que arqueja
E oferta o abismo como herança eterna
Para amparar a natureza do amor em raios
Livrando a mágoa de cair em flor
Nas feridas dos versos que brotam
No amor que aquece e esquece a prece

Gernaide Cézar

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