sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Lá vem a saudade


A saudade é resíduo do passado
Sustentada pela falta estendida no tempo
Que dinamiza a angústia em pauta
Tornando despida a alma

A saudade elabora o caminho
Negando a presença do outono
Espalhando um elenco de fibras
Que viajam num sonho invisível

A saudade lembra um louco
Na tempestade secreta das paredes pálidas
Onde o vinho da noite evapora
Sugando a chama vazia em escalas

A saudade é delicada e lenta
No espetáculo preenche o vazio
Que encanta uma fração vivida
Na dúvida da ânsia passada
E aborta todos os amores perdidos
Na fragrância eterna de um beijo

Gernaide Cézar

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