Lá embaixo vejo no canto da vida
Uma margem abstrata em queda
Definida num diálogo em versos
Como o vazio contido na forma
Vejo uma paisagem remota e aberta
Graduando na trilha uma neblina trêmula
Que no íntimo passa atropelando
O vício do desejo que mancha o olhar
Vejo o exílio onde a lágrima fica
Para afastar-se do frio da noite
Que umedece o colo do tempo
E desdobra o ócio embebido no orvalho
Já nem sei o que fazer agora
Estou aqui e amanhã estarei posta
Lá na janela perfumada que entra
Na sombra onde morre à tarde
Deixando a minha alma límpida
No silêncio que acalma e se espalha
(Gernaide Cézar)
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